terça-feira, 21 de julho de 2015

BENEFÍCIOS DIDÁTICOS DO XADREZ

NOTA DO BLOG: Em consonância com o PROJETO XADREZ ESPORTE EDUCACIONAL que temos desenvolvido em várias escolas municipais e estaduais do nosso município, compartilho esse artigo para subsidiar pais e educadores no intuito de contribuir com a difusão da prática de xadrez na pauta do ambiente escolar.

Em outra oportunidade abordaremos mais detalhes desse projeto. Como surgiu e que resultados já obtivemos em termos de rendimento escolar e em termos de rendimento esportivo no JEMG.
Não poderíamos deixar de abordar o Fundação Brasileira de Xadrez, realizadora desse projeto e a AMMVA (Associação de Mutuenses Moradores do Vale do Aço).
Alguns benefícios didáticos do Jogo de Xadrez
Autor: Alberto Silva Filho , P
Matéria revisada em 26 de Novembro de 2014
Cérebro que não se Renova, definha por não ser colocado à Prova...
"Um problema e mil alternativas como solução, eis a visão de um jogador de xadrez..."

Quando a lógica é bem aplicada, não existe Problema sem Solução, dentro do mundo concreto...
Diante de cada problema, possibilidades múltiplas precisam ser consideradas. Essa bem que poderia ser a primeira orientação que deveríamos passar para nossos filhos e alunos. Isso resolveria o problema das verdades únicas, que afloram mundo afora, criando verdadeiras legiões de fanáticos cativados pela alienação.

Teríamos um jovem sempre questionador, sempre disposto a aceitar, mas não apenas porque aquilo lhe foi imposto, e sim porque assim concluiu, depois de analisar dentre todas as possibilidades, que uma questão é capaz de suscitar. Seguir sem questionar é fácil, é o que a maioria faz. Mas um indivíduo só se torna questionador quando sabe que para cada questão, há sempre uma solução, dentre as inúmeras perspectivas, ou rotas, possíveis de conduzir ao desfecho.

Isso quer dizer que, uma mesma questão, apesar de ter apenas uma solução, terá sempre vários caminhos possíveis de conduzir até ela, e nunca apenas um. Isso pode parecer banal, mas normalmente, diante de um problema, ele emperra porque só consegue vislumbrar a solução que mais o favoreça, e sempre dentro dos limites do seu perímetro de atuação. E por isso deixa de fora os caminhos alternativos, que também o conduziria a essa mesma solução. O caminho único pode limitar a ação, mas diante de alternativas viáveis, acabará por encontrar uma que se mostre mais adequada ao seu perfil e temperamento, aquela onde poderá exercitar todo seu potencial criativo.

Uma visão mais ampla, quer dizer alguém que seja capaz de enxergar, não apenas o adversário que está diante de si, mas também todo ambiente à sua volta, e todos os demais protagonistas que façam parte da cenografia. Enfim, o maior número de detalhes do ambiente onde se desenvolve a trama, e seus possíveis desdobramentos. Essa perspectiva faculta uma quantidade maior de respostas.

A visão geral da situação, onde também se inclui o adversário ou problema, permite que se faça uma melhor avaliação da pauta em questão, ampliando o espectro de suas consequências, quais as opções mais perfiladas com a possível solução. Com isso, pode-se até concluir que aquilo nem era um problema. Uma visão limitada e restrita de uma questão pode nos colocar diante de uma situação com cara de problema, sem que de fato o seja.

Um jogador de Xadrez tem diante de si problemas, situações que se apresentam, de um modo inicial, como de difícil solução. Mas, eis que ao erguer seus olhos, ele pode vislumbrar mais adiante, ter uma visão panorâmica do problema. Ao ver o campo de ação por inteiro, ele poderá apreciar melhor o desafio que tem diante de si; a distribuição de suas variáveis, os caminhos que poderá tomar. Ali ele é capaz de avaliar, minimizar ou eliminar, os possíveis efeitos colaterais de suas decisões, e o mais importante, conhecer todos os recursos dos quais dispõe para tentar solucionar a questão.

Poderá prever se as soluções que imagina terão o efeito desejado. Terá ainda diante de si, as possíveis consequências de cada caminho que escolher. Ele tem uma visão privilegiada, e por inteiro, da situação. Pode reconstituir todos os passos, de modo que o conduzam à raiz daquele obstáculo, e diante dos fatos, pode finalmente aprender sobre os eventuais desfechos das falhas já cometidas, que venham ou viriam a ocorrer. Poderá ainda prever como superar, no futuro ou no agora, cada dificuldade que se apresente diante de si.

Para se aprender da forma adequada, a atenção disciplinada é sem dúvida a qualidade mais importante. O jogo de Xadrez se propõe a despertar em primeiro lugar, entre seus praticantes, esse essencial estado de vigília. Isso tornará o jogador um observador qualificado, mais atencioso com os detalhes, mais criterioso e lúcido, sagaz e capaz em suas decisões.

Sua visão se renova. Seu modo de pensar se amplia, e terá a seu favor dois fatores mais que importantes na solução de qualquer questão da vida. Um deles é a lógica que o ensinará a sistematizar e organizar uma questão antes de tentar resolvê-la. A outra é a versatilidade ou flexibilidade, atributo de uma mente aberta, ágil, que está sempre disposta a experimentar as novas possibilidades, as alternativas, além daquelas já existentes, para solucionar uma mesma questão.

Na visão tradicional, perfilada pelo condicionamento delimitador de cada um, temos diante de nós muitas soluções prontas para antigos e novos problemas. Se os problemas nunca se renovassem seria um cenário de mundo perfeito. Mas os problemas estão sempre mudando de forma, e as antigas soluções se mostram obsoletas, incapazes de resolver a questão.

Sendo orientado para, a partir do todo se chegar à parte, o jovem praticante de Xadrez desenvolve a capacidade de antecipar situações possíveis de criar problemas. Logo, ele se torna mais capaz, não só de evitar futuros obstáculos, mas também de solucioná-los. 

Uma mente vigorosa, ativa, cheia de músculos sinápticos bem desenvolvidos, é o benefício imediato de quem mentalmente articula muitos caminhos e possibilidades para se chegar a um objetivo. É a mesma coisa de um autor de ficção, a criar uma trama onde, por exemplo, o personagem principal, ao caminhar por uma estrada cheia de obstáculos, tivesse que tratar cada um, de uma maneira sempre nova, o que não seria possível com uma mente inflexível. 

Nessa prática, devemos ainda enfatizar, que o jogo apesar de ser uma competição, não precisa tornar-se uma disputa. A atividade serve de instrução para os dois jogadores, e nesse contexto, não existe aquele que perde e outro que ganha, mas apenas dois aprendizes que estão se qualificando na arte de tomar decisões.

Nenhum comentário:

Postar um comentário